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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Visitando a era dos games (museus audiovisuais - parte 2)

Os fliperamas que viraram símbolos da nostalgia
Dia 10 de janeiro deste ano, fui com Antônio, meu filho de 3 anos, à exposição A Era dos Games, no VillageMall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Apesar de ser um evento num shopping center e tratar de videogames, é uma bela exposição organizada pelo Barbican, de Londres, que se transformou num enorme sucesso. Intitulada Game On e exposta pela primeira vez em 2002, desde então, vem sendo levada para diversos países. A exposição em cartaz no Rio é uma sequencia, Game On 2.0, resultado do enorme sucesso da primeira.
As maiores antiguidades que só nos são permitidas olhar
A exposição tem poucos painéis informativos e a contextualização da história dos jogos eletrônicos não é das mais completas. Mas isso importa pouco diante da principal atração e diferencial: a possibilidade dos visitantes viajarem no tempo ao poderem jogar livremente diversos games do passado em seus consoles originais. Isto é, experimentar softwares antigos em seus hardwares autênticos. Trata-se, sem dúvidas, da mais óbvia, mas ao mesmo tempo mais difícil e direta forma de permitir aos visitantes sentirem as diferenças e particularidades de jogos dos anos 1960 até os simuladores em 3D, passando pelo pinball, fliperama, Nintendo, entre vários outros. Cada pessoa, mesmo aquelas que nunca foram grandes jogadores, acaba fazendo também uma viagem pessoal pelo seu passado. No meu caso, do antigo Atari ao sucesso na minha adolescência de consoles como Master System (da Sega) ou Phantom System (ausente da exposição, pois nacional, fabricado pela Gradiente) até o sucesso enorme do PlayStation.
Meu filho Antônio, que quase nunca jogou videogames até hoje, adorou a exposição, como todas as outras crianças, querendo experimentar todos os jogos que ele podia.
Antônio num dos poucos jogos nacionais
A realização da Era do Games, que tem expostos muitos itens pertencentes a colecionadores particulares, é sem dúvida um grande feito em termos de apresentação de objetos museológicos. Afinal, uma das grandes dificuldades para a preservação de nosso passado recente audiovisual (no qual incluo os videogames) é a manutenção dos softwares e hardwares rapidamente tornados obsoletos pela indústria. Assim como ver um filme originalmente em película 35mm sendo projetado no seu suporte original é uma experiência radicalmente diferente de assisti-lo no celular numa versão compactada e pixalada, jogar um videogame no seu console original é algo cada vez mais caro, mas essencial na compreensão, inclusive estética, desse produto cultural. Hoje, na internet, é possível encontrar emuladores de muitos jogos antigos, mas sem dúvida a experiência de utilizar os controles originais (botões, alavancas, hastes etc) e não os modernos (teclado, mouse, touchscreen) é radicalmente distinta.
A exposição me lembrou muito minha visita ao Living Computer Museum, em Seattle, que já comentei neste blog. Entretanto, ela também me recordou da visita a um outro museu, que conheci nessa mesma viagem aos Estados Unidos, em 2014, o Museu Mecânico, de San Francisco. Para quem visita a famosa cidade californiana, ele claramente passa batido em meio ao cenário turístico do cais do porto, o Fisherman's Wharf. Mas vale a visita, pois é uma das maiores coleções privadas de arcades, peepshows ou máquinas de moedas (coin in the slot machines), como quer que as chamemos. Essas maravilhas mecânicas serviam, ao custo de uma moeda, para tocar músicas, fazer bonecos dançarem, adivinharem a sorte e, desde o final do século XIX, mostrarem um filme. Tanto o fonógrafo quanto o quinetoscópio de Edison (o primeiro aparato para a visão de filmes da História, ainda que individual, diferentemente do cinematógrafo dos Lumière), vinham dessa série cultural de divertimentos de feiras e parques de diversão. Além de muito divertido, esse museu que não deixa de chegar aos fliperamas, também permite, como na exposição A Era dos Games, experimentar e vivenciar equipamentos mecânicos, elétricos e eletrônicos originais. Sem dúvidas, é uma verdadeira viagem no tempo que apaixona qualquer pessoa interessada na origem do cinema e nos vários caminhos e circuitos que ele percorreu e ainda percorre.


Um fenaquistiscópio em exposição.

Visão geral com as várias máquinas num galpão

O cinema pornográfico surgiu e se desenvolveu sob a forma dos peepshows

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual no Arquivo Nacional




Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual

Em 27 de outubro acontece o Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, comemoração aprovada pela Conferência Geral da UNESCO, em 2005, como forma de chamar a atenção para a necessidade da adoção de medidas urgentes que permitam a conservação dos arquivos audiovisuais no mundo inteiro, e da importância destes arquivos para a construção integral da identidade cultural das nações.

De forma a comemorar esta data, em consonância com a orientação da Federação Internacional de Filmes de Arquivo (FIAF), da qual o Arquivo Nacional é membro, é proposto para os dias 29 e 30 de outubro o evento "Fitas Videomagnéticas em Debate", com a previsão de duas mesas redondas no dia 29 de outubro, quando serão apresentados relatos de experiências de produção de vídeos e a importância das videolocadoras na formação de público. Uma conferência, no dia 30, abordará a evolução da tecnologia audiovisual e a importância da preservação dos registros e uma mesa redonda encerrará o evento apresentando os aspectos históricos do uso das fitas videomagnéticas na televisão brasileira.



Programação
 
29/10 manhã
10:00 horas
 
Abertura
Maria Izabel de Oliveira - Coordenadora-Geral de Gestão de Documentos – Representante da Direção-Geral do Arquivo Nacional
 
Representantes de canais TV e internet para falar sobre a produção de vídeos e a necessidade de preservação dos conteúdos.
 
TV Pinel
 
Filó - Cultne (Acervo Digital da Cultura Negra)
 
Antonio Laurindo (mediação) - Arquivo Nacional
 
 
29/10 tarde
14:00 horas
 
Produção de filmes e a importância das videolocadoras na formação de público
 
Carlos Vinícius- Cavídeo
 
José Marques - Videoteca UFF
 
Marcelo Siqueira (mediação) - Arquivo Nacional
 
 
30/10 manhã
10:00 horas
 
 
Conferência sobre a evolução da tecnologia audiovisual e a importância da preservação dos registros que foram gravados em fitas videomagnéticas.
 
Rafael de Luna - Professor da Universidade Federal Fluminense
 
Mauro Domingues (mediação) – Arquivo Nacional
 
 
30/10 tarde
 
14:00 horas
Acervos de televisão
 
Lacy Barca - Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
 
Simone Costa - Globosat
 
Jaqueline Benites Marques – MultiRio
 
Carlos Eduardo Marconi (mediação) – Arquivo Nacional
 
Exibição de filmes e programas de TV.
Capítulo da novela “A viagem”, Programa do Chacrinha e filme surpresa.
 
 
Será emitido certificado para quem tiver 75% de presença confirmada no evento.
Supervisão da Área de Imagens em Movimento
CODAC / COPRA
Arquivo Nacional
(21) 2179-1270
http://www.arquivonacional.gov.br
 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2011, digital e HDMI

Neste último post do ano, num tom mais pessoal do que o comum, além de desejar um feliz final de ano, agradeço a todos que acompanharam o blog e, principalmente, aos amigos que colaboraram com textos, sugestões e comentários.

Significativo deste final de ano, hoje o jornal O Globo publicou em seu Segundo Caderno a seleção dos melhores de 2011 em cinema e, além dos melhores filmes, listou também as melhores mostras. Entre elas, a Retrospectiva Cinematográfica Maristela, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, do qual eu fui o curador.

Mas, além disso, na sessão “Apostas para 2012”, o texto do jornalista André Miranda definiu como o “desafio” para o próximo ano a digitalização das salas de cinema brasileiras, alertando como o país está “atrasado” neste processo de “modernização”.

O tema do digital foi constante no blog ao longo de 2011, inclusive por conta de outras matérias de O Globo, mas não me parece ser um fenômeno necessariamente novo. As tecnologias audiovisuais sempre foram associados, para o bem ou para o mal, ao moderno, desde o surgimento do cinema. Afinal, no Brasil do começo do século XX “cinema” e “cinematógrafo” eram palavras utilizadas como adjetivos para definir objetos e hábitos característicos de um tempo moderno, marcado pela velocidade, por inovações e mudanças de costumes. Frequentemente, “fita de cinema” significava fantástico, o surpreendente, o irreal. A partir dos anos 1950, diante do sucesso das telas amplas em comparação com a novidade dos pequenos televisores, os sufixos de “Cinerama” e “Cinemascope” passaram a estar presentes nos anúncios dos mais diferentes produtos que tentavam se vender como modernos. E isso é exatamente o que está acontecendo nos últimos tempos, com a vaga e incerta palavra “digital” e o requentado “3D”. Praticamente tudo, de ferro de passar a mata-mosquito, pode ser digital e 3D, não importando o que isso, de fato, signifique, apenas que induza a pensar esses produtos como modernos.

Isso é muito curioso quando você freqüenta as grandes lojas de eletrodomésticos. Eu já acho surpreendente que, nesses lugares, as televisões mais caras e “modernas” estão sempre ligadas e a imagens desses aparelhos, em minha opinião, são quase sempre péssimas (escuras, pixaladas, sem nitidez etc.) Mas, na verdade, importa menos como elas são, e mais o que elas dizem ser: digitais, 3D, alta-definição etc. É isso o que o consumidor geralmente procura, pois é o que a mídia, de forma geral, diz que é melhor.

Nas últimas semanas eu tenho feito uma pesquisa de preços e visitado com mais frequência essas lojas. Há uns 4 ou 5 anos, quando percebi que os aparelhos de vídeo não estavam mais sendo fabricados no país, eu comprei, numa loja Tele Rio, no centro do Rio, um dos últimos aparelhos que ainda havia no estoque (na maior parte das demais lojas não tinha mais vídeos para vender). Era um aparelho combo Samsung com entrada para VHS e DVD. Embora eu use pouco, o tocador de VHS ainda funciona perfeitamente, mas o DVD está ruim e os discos praticamente não tocam mais. Eu já tenho um aparelho Blu-Ray Sony, comprado nos EUA, que utilizo para ver Blu-Rays brasileiros e norte-americanos (que são da mesma região) e DVDs norte-americanos (Região 1), embora haja um problema que ainda não consegui resolver. Se eu coloco um DVD de um filme em formato 1,37 ou 3/4 no Blu-ray, a imagem é reproduzida na minha TV Sony 1,78 ou 16/9 nesse formato. O botão do controle remoto do televisor para alterar para o formato “normal” (3/4), que uso quando assisto à programação da TV ou a DVDs no meu combo Samsung, não funciona nesse caso... Será que isso se deve ao fato dele estar ligado por HDMI? De qualquer modo, pensei em comprar um Home Theater com DVD embutido, para poder assistir nele aos DVDs brasileiros (Região 4) que não tocam no meu Blu-Ray Sony. Esses aparelhos estão bem mais baratos, já que a maioria dos Home Theater atualmente vem com Blu-Ray.

Ontem fui numa loja da Casa Bahia e vi um modelo Philips pelo qual eu já tinha me interessado ao pesquisar na internet. O vendedor, obviamente, tentou me convencer das vantagens do aparelho listando as modernas tecnologias que ele dispunha. Com forte sotaque carioca, ele me disse: “E vem com cabo HDMI. Você sabe? Para dar aquela interpolada na imagem”.

Achei essa ótima. A próxima vez que eu for ao cinema e me deparar com uma péssima projeção digital (embora eu cada vez mais evite assistir filmes em digital), eu vou gritar para o projecionista: “Dá para dar uma interpolada na projeção!!!?”

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Relato do The Reel Thing XXII, 2009 (parte 1)

Entre os dias 21 e 22 de agosto de 2009 participei do "The Reel Thing XXII", simpósio técnico promovido pela AMIA (Association of Moving Image Archivists). Estava em Los Angeles com bolsa-sanduiche do doutorado e aproveitei para participar do evento realizado no Linwood Dunn Theater, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Arrumando meus papeis, aproveitei para tentar passar a limpo algumas das anotações que fiz das palestras, tentando alinhar as questões que me pareceram mais interessantes na ocasião.

A primeira palestra do dia foi de David Giovannoni, intitulada "Adieu, sweet aparition. Hello Sweetheart". Fundador do "First Sounds" um grupo de historiadores do som, engenheiros de áudio, "arqueofonistas" e outros indivíduos que se dedicam voluntariamente a tornar acessíveis os primeiros registros sonoros da humanidade. Giovannoni retomou seu relato do ano anterior quando apresentou a recuperação de um dos mais antigos registros da voz humana, feito em Paris em 1860 - 17 anos antes da invenção do primeiro gravador do som por Thomas Edison e seus cilindros de cera. Isso foi conseguido através da descoberta de registros do "phonautograms" de Édouard-Léon Scott, invento dedicado a tornar o som visível, isto é, fazer uma representação visual do som numa espécie de caligrafia automática. Giovannoni relatou as dificuldades de conseguir "tocar" novamente aqueles registros que não foram criados originalmente com essa intenção. Para saber mais dessa história fantástica, sugiro consultar o site http://www.firstsounds.org/

A segunda palestra foi do célebre especialista John Polito, abordando a restauração sonora do filme How to marry a milionaire (1953), comédia com Marilyn Monroe, Lauren Bacall e Betty Grable, primeiro filme feito em cinemascope e mixado em 4 canais estéreo. Para destacar sua novidade tecnológica, o filme se iniciava com um prólogo de 8 minutos com uma orquestra regida pelo compositor Alfred Newman. O som dessa cena foi registrado com 3 microfones como forma de explorar na exibição do filme a espacialidade proporcionada pelo som magnético. Entretanto, Polito revelou como as fitas magnéticas da mixagem original do filme apresentavam um supreendente nível de 6% encolhimento! As máquinas de reprodução magnética geralmente são capazes de tocar fitas com até 1,5% de encolhimento, enquanto os aparelhos especialmente feitos para os arquivo suportam até 4% de encolhimento. As fitas magnéticas apresentavam-se portanto até 2 mm mais curtas do que sua dimensão original. Polito advertiu ainda como a prática corrente de "assar" as fitas de áudio ajudam um pouco, mas fazem mais mal do que bem, pois a deixam em condições piores no final de contas. Foram relatadas ainda como esses problemas foram superados na restauração do filme, apresentado ao final do dia para o público.

A palestra seguinte também foi a apresentação de um caso de restauração, mas do filme Rashomon, de 1950, patrocinado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mike Pogorzelski apontou como, apesar de ser um filme clássico, não existiam boas cópias 35mm da obra-prima de Kurosawa em nenhum arquivo do mundo. Relatou que nos anos 1970 o negativo original do filme - feito com pouquíssimos recursos - havia desaparecido. Para a restauração foi utilizada uma cópia 35 mm em acetato de 1962, mas, como material de referência, descobriram alguns fotogramas do negativo de câmera que haviam sido guardados pelo diretor de fotografia. A cópia utilizada foi duplicada antes de ser escaneada para não haver riscos, sendo digitalizada em 4K. Pogorzelski observou que os piores elementos para serem tratados numa digitalização, que correm o risco de aparecer como erros devido aos detalhes e a velocidade com que aparecerem, são folhas de ávores, gostas de chuva e chamas de fogo. A platéia riu com a lembrança de que Rashomon se passa em grande parte numa floresta, à noite, com personagens em volta de uma fogueira! A restauração do filme teria custado 400 mil dólares e como produto final foram feitas cópias novas em 35mm e e extraída uma versão em HDCAM-SR para o lançamento do filme em blu-ray (ele já fora lançado em DVD pelo selo Criterium).

A palestra seguinte, mais técnica e menos interessante, abordou o tema da Síndrome do Vinagre no ambiente de trabalho. Os palestrantes, funcionários da Citadel Enviorenmental Services, discorreram sobre o tema de "Higiene industrial", divido nas etapas de reconhecimento, avaliação, prevenção e controle. Foi debatido o dilema entre isolação e ventilação nos ambientes de arquivos audiovisuais e afirmou-se, ao fim, que a síndrome de vinagre não representa ameaça tóxica ou cancerígena para os funcionários, mas pode causar diferentes tipos de irritação de pele.

A parte da tarde começou com a palestra de Ethan Miller, sobre o tema do armazenamento de arquivos digitais que abordarei em seguida.

Mais original foi o relato de Al Sturm, da Wideband Video Labs, sobre a restauração de fitas da primeira missão de registro ótico da lua através de satélite da NASA, anunciada com furor pela mídia americana no ano anterior. O palestrante revelou como a tarefa foi muito mais complicada e contou com muito menos recursos do que foi anunciado.

Sobre formatos "estranhos" também falou Ralph Sargent, ao expor o caso da restauração de um episódio do programa de TV "Johnny Cash Presents the Everly Brothers Show", série da rede ABC do início dos anos 1970. O surpreendente do caso é que esse material não foi gravado internamente pela emissora quando feito, mas sobreviveu apenas através de uma gravação a partir da transmissão televisiva (off-the air) feita em uma fita 1 polegada tipo A, um formato pouco utilizado de vídeo produzido pela Ampex e destinado a uso educacional e destinado ao mercado caseiro - uma espécie de precursor do VHS. Sargent relatou as dificuldades para restaurar essas fitas e mostrou alguns trechos - muito bons! - do programa musical.

Voltando ao tema da NASA, Mike Inchalik fez um relato muitíssimo interessante sobre o sistema utilizado para capturar em vídeo a atividade dos astronautas da nave Apolo 11 fora do veículo espacial. Os registros dessa primeira missão lunar tripulada foram transmitidas ao vivo da lua para a Terra num formato único, nunca utilizado comercialmente, de 320 linhas por quadro, e velocidade de 10 quadros por segundo. Elas foram registradas em fitas de 1 polegada, totalizando 9.200 pés (2.800 metros), com 525 linhas e 60 quadros por segundo. Mas as 45 fitas utilizadas estavam desaparecidas.
Essas imagens eram filmadas na Lua, transmitidas para a Terra, seus sinais convertidos, e depois transmitidas pela TV para a casa de milhares de pessoas em todo o mundo. Dessas imagens sobreviveram apenas os seguintes materiais utilizados na restauração: uma VHS feita em Sidney (onde havia também uma base de apoio à expedição lunar) a partir de fita 2 polegadas; uma quinescopagem feita na NASA (isto é, a filmagem em película diretamente do monitor de vídeo); algumas fitas 2 polegadas da rede de televisão CBS que transmitiu a missão pela TV; e, mais surpreendente de todos, um filme 8 mm feito com câmera na mão filmando um monitor de baixa frequencia na Austrália!

A última apresentação foi sobre o filme ilustrativo do USS Arizona Memorial, museu construído no navio abatido no ataque japonês a Pearl Harbor na Segunda Guerra Mundial. O filme feito em 35 mm nos anos 1980 vinha sendo exibido nesse formato a todos os visitantes até se decidir pela feitura de uma versão digital para substituí-lo. O filme foi scaneado em 4K e apresentado em pré-estréia para o público do simpósio em projeção 4K. Foi a primeira vez que pude ver esse tipo de apresentação e a riqueza de detalhes na tela impressionam, embora, mesmo em 4K, eu ainda tenha ficado insatisfeito com o tom e profundidade das cores, que me pareceram ainda opacas e pouco vivas em relação à película.

Continua...