terça-feira, 9 de maio de 2017

Petição contra a mudança do MIS-BH


Foi com imenso espanto que ontem tivemos conhecimento de uma publicação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte em que nesta afirma-se que serão feitos investimentos no Cine Santa Tereza em função de um deslocamento do acervo do MIS, da Av. Alvares Cabral, para o local.

A constituição do MIS (antigo CRAV) ocorreu devido a uma extensa e árdua batalha pela preservação da memória, não apenas audiovisual, de nossa cidade. A adaptação do acervo ao espaço demandou anos de estruturação e de investimentos. Hoje o MIS-BH guarda não apenas acervos audiovisuais, mas também fotográficos, fonográficos, dentre outros. As salas são climatizadas e existe uma equipe capacitada e apta não apenas para salvaguardar o acervo, bem como para a sua recuperação e restauração.

A utilização do Cine Santa Tereza, outro espaço que foi conquistado pela sociedade a duras penas, para a guarda de acervos é equivocada e anti-funcional. O espaço em questão cumpre hoje um importante papel de difusão, exibição e formação audiovisual, indisponível em outros aparelhos do município. Entulhar o acervo audiovisual do município no espaço do Cine Santa Tereza e desocupar o MIS é um desserviço aos dois espaços e as suas funções.

É incompreensível e incoerente ainda que diante do anúncio de corte nos cargos e no orçamento do município em função da escassez de recursos deste, que a prefeitura anuncie investimentos, ainda não comprovados, para a modificação de um aparelho que foi entregue a pouco tempo à população. A própria Lei Municipal de Incentivo a Cultura de BH definha por ausência de recursos, e o edital de 2016 até o momento não foi lançado.

Além desta questão, não podemos deixar de lamentar a forma apressada e impositiva que a notícia foi vincula. Não houve a abertura de diálogo com o setor audiovisual, da preservação, e sequer dos próprios funcionários do MIS-BH.

O MIS-BH nos é muito caro e desde já nos posicionamos contrários a este ataque a memória da cidade de Belo Horizonte. Nos mobilizaremos e buscaremos o apoio de todas as instâncias cabíveis, inclusive à justiça, se assim for necessário, para que tal disparate não se concretize. Os prejuízos para o acervo que conta parte da história de nossa cidade são incalculáveis caso esta decisão equivocada seja mantida.

Diante deste fato solicitamos a todos que são contrários a mudança do local atual do MIS-BH que subscrevam este documento em apoio a manutenção deste no local em que se encontra atualmente.

Podem subscrever entidades, representantes de instituições e pessoas físicas.


Associação Curta Minas/ABD-MG.

sábado, 29 de abril de 2017

Manuseamento elementar de filmes

Conheci Tiago Baptista em 2004, quando estive pela primeira vez em Portugal e aproveitei para visitar a Cinemateca Portuguesa e a o ANIM - Arquivo Nacional de Imagem em Movimento. Na época o Tiago era, como eu, um jovem funcionário do arquivo. Hoje ele é diretor do ANIM.
Numa troca de e-mails, ele me enviou o pdf do texto "Manuseamento elementar de filmes", tradução de 1986 feita pela Cinemateca Portuguesa do manual original redigido, no ano anterior, pela Comissão de Conservação de Filmes da FIAF.
Servindo ao propósito original do blog de dar acesso a textos sobre preservação audiovisual, em português, para o público interessado, coloco, com autorização do Tiago, o link para quem quiser baixar

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Plano Nacional de Preservação Audiovisual

Participei hoje, no Festival do Rio, de uma mesa sobre preservação audiovisual, tematizando a restauração do filme "É um caso de polícia" (Carla Civelli, 1959), em homenagem ao restaurador Francisco Moreira e organizada pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB).

Para além da preocupação que sempre cerca o tema da preservação da memória do audiovisual brasileiro, o evento de hoje tinha um ar de especial tristeza com a situação que o país vive atualmente.
Por isso, mesmo não atualizando sempre o blog, fiz questão de fazer esse post para lembrar que foi finalizado, em junho desse ano, durante a Mostra de Cinema de Ouro Preto, um PLANO NACIONAL DE PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL. Ou seja, a sociedade civil organizada, reunindo profissionais e representantes de instituições, debateram e, ao longo de meses, redigiu uma proposta para a construção de uma política para a área de preservação audiovisual.
Portanto, um plano já existe. Falta agora vontade política dele ser colocado em prática. E podemos cobrar isso a quem é de direito.
O plano pode ser acessado aqui.